quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Cyberpunk e derivados

Estava devendo este artigo sobre os vários estilos derivados da trilogia do Sprawl do William Gibson. Mas antes de partir para seus derivados, um resumo do que é cyberpunk, numa tradução livre:

Personagens clássicos do cyberpunk eram solitários marginalizados e alienados que viviam a borda da sociedade geralmente em futuros distópicos, onde a vida diária era afetada pela rápida mudança tecnológica, por um conjunto de dados computadorizados onipresente e pela modificação invasiva o corpo humano” (Person, em Slashdot).

Outra característica marcante no trabalho de Gibson é a presença de personagens femininas fortes. Muito raramente há donzelas em perigo; quando há, é apenas temporário. Inversamente, vários personagens masculinos estão em posição de apoio, não se envolvendo diretamente na ação ou mesmo não se pondo em risco de morte. E essa característica foi seguida por vários dos copia…seguidores do Movimento Cyberpunk

Dos sistemas de RPG neste estilo cyberpunk, o Cyberpunk 2020 é o mais conhecido, sendo inclusive reconhecido pelo próprio Gibson como representante da cultura cyberpunk. O GURPS Cyberpunk também dá bom suporte, mesmo que suas regras de imersão na rede sejam, no mínimo, confusas.

Dito isso, avancemos para os estilos que surgiram a partir dessa premissa.

Pós-Cyberpunk
Spider Jerusalem na capa do
Transmetropolitan Vol. 2 (divulgação)
O Pós-Cyberpunk surgiu como uma resposta à proposta inicial do cyberpunk. Foi iniciado por Bruce Sterling com seu Piratas de Dados (Islands in the Net, no original) e um das melhores obras neste estilo é o Ghost in the Shell de Masamune Shirow. Essa última obra ganhou o título traduzido de “Fantasma do Futuro” (aaaaargh!), que é dose por vários motivos. E nos quadrinhos/comics, Transmetropolitan de Warren Ellis e Darick Robertson mostra um jornalista gonzo como personagem principal.

A diferença entre este estilo e o anterior é que o mundo distópico do cyberpunk clássico não é tão evidente. A imersão na informação e a modificação corporal invasiva ainda são o foco, mas o foco é mais humano; uma questão bastante presente é a do cyborg se perguntando se ainda pode se considerar humano depois de tantos implantes e modificações. Este estilo muitas vezes de mistura aos que vou explicar a seguir.

Entre os RPGs, o pós-cyberpunk é mais um estilo de narrativa do que um sistema de regras. Mesmo assim, alguns sistemas se prestam melhor à essa tarefa, como Mago, a Ascensão (não conheço o Despertar bem o suficiente), especialmente os suplementos Guia da Tecnocracia, Demon Hunter X e os livros sobre os Adeptos da Virtualidade, a Iteração X e os Progenitores. Por que os Progenitores? Continue lendo.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Mechas e RPG

Estou matutando sobre este assunto a um bom tempo, mas o artigo não saia.

E o porquê disso? Salvo uma exceção que é o BESM, não existem RPGs voltados para o assunto no Brasil. E não, eu não considero o outro uma alternativa para o gênero. Sim, sou um chato que frequenta o /m/, se é que me entendem.

Bem, você não está lendo isso por causa das minha picuinhas, está? Espero que não. Então, ao que interessa. Mechas (ou robôs gigantes) em uma campanha de RPG: Como e por quê.

No caso atual do(s) sistema(s) disponível(is) aqui no Brasil, a única alternativa “viável” de jogo é com os super robôs, aqueles que claramente desafiam as leis da física para funcionarem. Não que alguns robôs “realistas” não desafiem, mas no caso de super robôs, eles podem alcançar tamanhos de planetas ou mesmo de galáxias (Gunbuster e Diebuster no primeiro caso e Tengen Toppa Gurren Laggan no último; todos do estúdio Gainax). Os zords dos Power Rangers também caem na categoria de super robôs. No final das contas, quase todos os shows com robôs combinantes são de super robôs.
Valsione R e Lune Zoldark
Valsione, mecha do Super Robot Wars Original Generation (e sua piloto)
Os super robôs são um subgênero, que além de ter mechas que não tem muito compromisso com a realidade (para não dizer nenhum), costumam ter o “monstro da semana”, o inimigo a ser derrotado no episódio ou seção de jogo, no caso do RPG. E divertido de se jogar quando se quer algo exagerado, com personagens exagerados, numa ambientação exagerada. Clássicos como Mazinger ou mais recentes como o Tengen Toppa Gurren Laggan citado acima são exemplos de super robôs.