segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Cyberpunk e RPG

Estou devendo um artigo mais decente sobre os RPGs de Cyberpunk. Então reuni vontade para faze-lo. Ou não. Talvez. Que seja.
Esse tipo de ambientação foi a primeira que usei como narrator/mestre/esfolador de personagens de jogador. É talvez a única que realmente não perdôo erros idiotas dos jogadores; Cyberpunk é uma ambientação impiedosa; quem já leu os livros do movimento cyberpunk ou viu os filmes deveria saber isso muito bem.
Sanakan do mangá Blame! (divulgação)
Um problema desse gênero é que parte do fantástico e do diferente que ele possuia agora é lugar comum, como o meio que você está usando para ler este texto. Ao mesmo tempo, não deixou de ser interessante, ao contrário do que seus críticos alegam, como estar ultrapassado, e ultrapassado, e ultrapassado, repita ad infinitum.
Deixando os reclamões de lado, tivemos no Brasil alguns RGPs representando este gênero:
Cyberpunk 2.0.2.0., que considero que tem o maior nível de mortalidade de personagens dos jogadores; golpes/tiros bem localizados tem como matar um personagem com relativa facilidade. Mas isso não chega a estragar a diversão; muito pelo contrário, foi o sistema que mais me diverti e vi também as idéias mais piradas por parte dos jogadores.
GURPS Cyberpunk, que anda lado a lado em mortalidade com o anterior. Por ser um sistema mais genérico, fica mais fácil misturar outras ambientações, como no suplemento Cthulupunk, que mistura a obra de Lovecraft com o movimento iniciado por Gibson. O que ainda me irrita é o modo como trataram a rede, sendo um tanto confuso, até mesmo para mim que sou formado em Ciências da Computação. Ou especialmente para mim, porque aquilo é uma salada só. Detalhe que este livro possui apenas as regras, a ambientação mesmo está no GURPS Cyberworld, nunca lançado em português. E que é outra salada difícil de engolir.
Shadowrun, que já está na 4ª edição, mas no Brasil só foi lançada a 2ª edição. Misturando cyberpunk e fantasia, é um sistema/ambientação que costuma gerar algumas discussões entre “puristas” e os fãs de Shadowrun. Possui um sistema de magia que confunde a cabeça de muito iniciante, pois muitos não entendem que a magia deste sistema fere o usuário dela toda vez que é usada. Bem, em partes. Jogadores inteligentes sabem como lidar com isso. Some-se a isso anões, elfos, orks (sim, com “K”) e troll e se tem uma mistura de fantasia e tecnologia indigesta aos “puristas”, mas que é a festa para quem gosta. Considero os personagens neste sistema os mais resistentes dos três já citados.
Fugindo um pouco aos RPGs estritamente cyberpunk, fica a menção do Mago, A Ascensão, do sistema Storyteller. Não sei se na versão mais nova já apareceram as regras de cyberware, mas o Guia da Tecnocracia e no Demon Hunter X possuem regras para implantes tecnológicos para personagens. E toda a ambientação do Mundo das Trevas funciona bem os temas de cyberpunk.
Na próxima, tipos de partidas/campanhas na ambientação cyberpunk.

3 comentários:

Anônimo disse...

Muito bom cara, eu particularmente adoro o sistema cyberpunk, pena que não seja tão explorado pelas editoras brasileiras (que só investem em D&D e Wod, apesar de serem ótimos)

só gostaria que bons sistemas cyberpunk fossem traduzidos.

mas deixo aqui uma esperança CthulhuTech (não sei se vc já ouviu falar.

aqui o link da tradução

http://avereal.blogspot.com/

Hayashi disse...

Sim, já ouvi falar. Infelizmente é difícil para mim achar alguém disposto a fazer/mestrar algo relacionado ao cyberpunk ou mesmo as Mythos, quanto mais os dois juntos.

E seu comentário me fez lembrar que estou devendo uma explicação dos temas derivados do cyberpunk.

abssyntho disse...

Narrei uma crônica usando só a ambientação e regras do Guia da Tecnocracia. Os personagens eram Operativos das Convenções. Não possuiam qualquer habilidade Iluminada(mágica), apenas os Aprimoramentos (melhorias cibernéticas e/ou genéticas). Foi muito legal e permitiu uma boa mistura de gêneros (do cyberpunk convencional ao horror de cthulhupunk.)